Vestibular UERJ: análise do conto Morte e Vida Severina

A linguagem é concisa, mas cheia de expressões populares e muita musicalidade.

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Postado: 18 de agosto, 2017 - Atualizado: 5 de setembro, 2017

Entre as mudanças no vestibular da Uerj está a volta da leitura de livros de literatura. A ideia é estimular alunos no ensino médio a ler mais.   De acordo com Gustavo Krause, diretor do DSEA da Uerj (departamento de seleção acadêmica), “a literatura acaba sendo uma escola de compreensão do outro, que é extremamente necessário em tempo de cada vez mais intolerância e incompreensão”.

Vamos dar continuidade às nossas análises através da obra Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto.

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“Morte e Vida Severina” é uma obra de história simples e sentidos profundos. O protagonista é um nordestino, um retirante de 20 anos que foge da seca, e do dia a dia sofrido e miserável do Sertão. Caminhando às margens do rio Capibaribe em direção a cidade do Recife, ele tem a esperança de encontrar uma vida melhor.

Tempo, espaço e narração

O tempo é cronológico, mas não há pistas em que época exatamente se passou. A seca é o único marcador; o que torna a obra eternizada. O tempo e o espaço contribuem para o caráter de denúncia social do texto.

  • O espaço conta com a ida de um lugar para o outro: o retirante sai do Agreste e vai para a Caatinga, da Zona da Mata para Recife. Severino, durante esse deslocamento, depara-se com tantas mortes e miséria que pensa em se atirar no rio e apressar a própria morte.
  • O personagem Severino narra a história em primeira pessoa. Além disso, a obra é composta de monólogos e diálogos com outros personagens.

Personagens

  • Severino é o narrador e personagem principal, um nordestino que sai do litoral em busca de melhores condições de vida.
  • Seu Josémestre carpina, é o personagem que salvou a vida de Severino.

Linguagem

A linguagem é concisa, mas cheia de expressões populares e muita musicalidade.

Resumo da Obra

Em sua viagem, Severino esbarra em circunstâncias de morte, de desespero, de miséria e fome, ocasionadas principalmente pela seca. Ele também encontra no caminho outros nordestinos que, como ele, passam por privações. Além das privações impostas pelo sertão, se depara com as injustiças contra o povo e inúmeras mortes. Dessa forma, termina por descobrir que a morte é a maior empregadora do sertão.

Cemitérios, coveiros, assassinatos, tudo leva Severino a pensar no seu próprio fim. Chega a conclusão de que a realidade em que se encontra, se assemelha muito com a que viveu no sertão. Por fim, demonstra a intenção de suicidar-se, pois já não vê diferença entre a morte e a vida.

Questão de Vestibular

  1. (Uel 2003)

“Os rios que correm aqui

têm a água vitalícia.

Cacimbas por todo lado;

Cavando o chão, água mina.

Vejo agora que é verdade

O que pensei ser mentira

Quem sabe se nesta terra

Não plantarei minha sina?

Não tenho medo de terra

(cavei pedra toda a vida),

e para quem buscou a braço

contra a piçarra da Caatinga

será fácil amansar

esta aqui, tão feminina”

(MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida Severina e outros poemas para vozes. Rio de Janeiro:

Nova Fronteira, 1994. p. 41.)

piçarra: material semidecomposto da mistura de fragmentos de rocha, areia e concreções ferruginosas.

Em relação ao trecho acima, de Morte e Vida Severina, considere as afirmativas.

I.Esses versos referem-se ao momento em que Severino chega à zona da mata e encontra a terra mais macia. Isso nos é revelado num estilo suave e melodioso, em que a sonoridade das palavras expressa o entusiasmo do retirante.

II.”Rios”, “cacimbas”, “água vitalícia” e “água mina” são expressões que remetem a um pensamento positivo sobre a região por onde passa o retirante Severino. Isso mostra a sua alegria por ter encontrado um lugar onde ele viverá com toda a sua família até a morte.

III. Nesse trecho Severino encontra o que procura: água e, consequentemente, vida. Isso está retratado nos versos “Não tenho medo de terra/ (cavei pedra toda a vida)”.

1. A expressão “tão feminina” do último verso é uma metáfora de terra macia, fácil de trabalhar, e se opõe à expressão “piçarra da Caatinga”, que significa terra dura, pedregosa.

2. Os versos “Os rios que correm aqui/ têm a água vitalícia” significam que os rios nunca morrem. Essa constatação refere-se à região da Caatinga, onde Severino vive sua saga.

Assinale a alternativa correta.

a) Apenas as afirmativas I, III e V são corretas.

b) Apenas as afirmativas I e IV são corretas.

c) Apenas as afirmativas I, II e V são corretas.

d) Apenas as afirmativas I, II e IV são corretas.

e) Apenas as afirmativas IV e V são corretas.

Gabarito: 

[E]

Os itens [I], [II] e [III] são incorretos, pois

[I] a poesia de João Cabral de Melo Neto não segue a linha lírica e sentimental característica dos movimentos românticos ou simbolistas que o precederam, por isso a fala do retirante não poderia apresentar estilo “suave e melodioso”, em que a “sonoridade das palavras” expressasse o seu entusiasmo;

[II] em nenhum momento da obra existe alusão à família que Severino gostaria de levar para o Recife;

[III] os versos “Não tenho medo de terra/ (cavei pedra toda a vida)” referem-se à paisagem árida e inóspita da caatinga;

Os itens [IV] e [V] são corretos, pois

[IV] o termo “feminina” é usado de forma metafórica, estabelecendo uma oposição entre terra fácil de trabalhar e a terra pedregosa da “piçarra da Caatinga”;

[V] os versos “Os rios que correm aqui/ têm a água vitalícia” causam surpresa no retirante, pois são diferentes dos que correm na região da caatinga, onde os rios sempre morrem.  

 

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